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Licença Poética, por Marcelo Lopes
 


Concurso...

O Fã-clube Rosa dos Ventos da Bahia promoveu entre setembro e dezembro de 2005 um Concurso de Poemas sobre Maria Bethânia. Arrisquei e mandei um... parece que gostaram... a Comissão julgadora escolheu 3 poemas vencedores e o meu foi um deles... O Prêmio já chegou: uma foto líndíssima autografada assim: Marcelo, um beijo, Maria Bethânia.

Eis o poema:

O Canto da Sereia

(Marcelo Lopes)

 

De onde vem essa voz?

Que sai de corpo tão frágil e pequenino?

É um encanto que puseram em nós?

Ou retornei ao meu tempo de menino?

 

Quando as sereias habitavam mares e rios

E enfeitiçavam marinheiros e clandestinos

Que pulavam, se jogavam e sumiam no vazio

Ao ouvir seu canto... em sonho... em desatino.

 

Homem feito, deparo com o sonho incorporado.

Encantada, a sereia, em palco, se manifesta

Ao meu tempo de menino sou levado

-Era esta a voz da sereia, era esta, era esta!

 

Os pés descalços da sereia

Dançam com leveza de pluma.

Suaves, deslizam pelo espaço,

Seu palco é sua água; é sua espuma...

 

Os braços a romper o vazio

Em gestos que beiram a feitiçaria.

Pela espinha nos desce um arrepio

Hipnotizados, ei-nos marinheiros de hoje em dia.

 

Ao emitir seu canto, um chicote traz na mão.

Rainha dos raios chicoteia, risca o céu num clarão.

Misto de Iansã e de sereia, de raio e de trovão.

De sua boca sai o pranto, sai o riso, a alma, o coração...

 

Tal como médium, recebe e incorpora

Em cada número, dela própria uma versão.

Convivem ambas, menina e senhora

Maricotinha, Luz da Noite, Drama, Opinião!

 

O chicote pousado no chão é sinal de despedida

Junto à boca de cena, a reverência comovida

Qual trapezista no último salto, mandou beijos e partiu

E com os braços para o alto, voltou, aos pulos,

Para o reino encantado de onde saiu!

 



Escrito por Marcelo às 10h07
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