Movimento dos Barcos (Jards Macalé e Capinam)
Tô cansado e você também
Vou sair sem abrir a porta
e não voltar nunca mais
Desculpe a paz que eu te roubei
E o futuro esperado que eu não dei
É impossível levar um barco sem temporais
E suportar a vida por um momento além do cais
Que passa ao largo do nosso corpo
Não quero ficar dando adeus
As coisas passando eu quero
É passar com elas eu quero
E não deixar nada mais
Do que as cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo
Não, não sou eu quem vai ficar no porto chorando, não
Lamentando o eterno movimento
Movimento dos barcos, movimento...
Escrito por Marcelo às 12h12
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Obituário
Mais um texto da série "poemas mórbidos"... Alguns amigos ficam preocupados quando escrevo uns textos meio barra-pesada como esse.. e o engraçado é que quando os escrevo é que tô numa fase bem tranqüila... quando tô mal, é melhor nem tentar...
Vamos ao texto...
Obituário
Deixou-nos esta manhã um ferido coração
Que por um ingrato amor, de tanto bater, parou.
Entregou-se vencido ao martírio da solidão
Por não mais caber no peito que o abrigou.
Não deixa filhos ou herdeiros, nem quem o possa reclamar
Sejam os motivos falsos ou verdadeiros
Nenhuma lágrima há por derramar.
Na busca por esse pobre sofredor
Cuja morte a ninguém comove
Não se acenderão velas, nem se verá flor
No Lote Trinta e Cinco, Quadra Vinte e nove.
Jaz solitário em cova rasa, no mausoléu dos desamparados.
Sem calor, fogo nem brasa, sem perdão e nem pecados.
Escrito por Marcelo às 12h01
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