Nunca mais...
Lamentação do Duque de Gândia pela morte de Isabel de Portugal
Nunca mais a tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
se poderá nos passos do tempo tecer
e nunca mais darei ao tempo minha vida
nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços do teu ser
Em breve a podridão beberá teus olhos e teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão
Nunca mais amarei quem não possa amar sempre
Porque eu amei como se fossem eternos
A luz, a glória e o brilho do teu ser
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.
Nunca mais amarei senhor que possa morrer.
Sophia de Mello Breyner.
Escrito por Marcelo às 15h18
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